De manha! Minha mente paira sobre a ideia constrangida, pondera afogar as mágoas medíocres em versos apaixonados.
Ah! Ingénua mente de coração mole, a imagem que ela carrega tão sedutoramente já não me atormenta, pois agora sim, tenho pena dela. A tela mágica desenha um corvo branco, único e majestoso como a poesia e o amor.
Tristeza? Pobre desgraçada que flutua na memória da alegria e ao tentar lembrar-se do esquecimento que nunca teve, ela desfalece neste misericordioso dia. A noite seca de meus olhos chuvosos, abafam o sol e sua luz que outrora me iluminaram.
Estais triste ou feliz? Pergunta minha mente enamorada de uma forma sarcástica. A resposta saberás no limiar da grandeza, onde filosofia em verso que incitarei na única e futura noite vivida por mim. Encontro-me taciturno, pois não te carrego, estou feliz na infelicidade de um livre fardo que não me merece, esse fardo?
Minhas lágrimas petrificadas e guardadas numa pirâmide que me imortaliza.
Honrosa princesa do lago, amar-te-ei como esperais, sois vós que me atormentais neste esplendor amoroso? Não sei quem sois, mas de certo que és quem sonhei.
Ao matares-me em teus cabelos, dignos de uma ninfa da floresta, meus olhos circundantes fitam a magia dos teus.
Ao enfeitiçares-me, torno-me semelhante a minhas lágrimas e estático, eu jazo neste momento solene. A rosa negra que transportas tão delicadamente, já me caracterizou num amor anterior em que morri. Voltei! Voltei à realidade, aqui sim existem metáforas verdadeiras, a vida é um drama tranquilizante, acolhe-me e traça-me um destino sonhado, onde poetas voam sobre adegas e casam com sereias míticas e esbeltas.
Grito ao mundo desesperançado e louco, que transporta quem eu sinto:
- Fugi do vosso amor, não correrei ao encontro dele, pois onde o mesmo se encontra. Incestos são praticados.
Quero-te e desprezo-te amor que não amo. Calo-me!... e de repente a resposta desse amor, provem de um vento desordenado que entra pela minha janela.
A musa que quero voa com borboletas durante um mês infinito, e eu? Oh pobre poeta escasso de inspiração, a tal? Exilou-se em meu leito de versos, deixando à minha vista uma nova tela, onde se encontra desenhado um corvo preto, que espicaçou esta prosa inacabada e doentia.
Já não sinto a falta do que não perdi, apenas nunca tive o que jamais esqueci. Desejo a comoção e na vida não a tenho, minha janela, em meu auxílio chama-me, pereço com ela vastos minutos onde um monólogo surge.
No fim desta manhã momentânea, eu apercebi-me:
Este amor é desejado e não necessário de momento, eu não estou a viver a realidade neste impasse triste, eu vivo um sonho oportuno em que estou prestes a acordar.
Num momento, num sonho, aí sim taciturnamente saberei quem sou, eu não sou eu, serei o sonho que alguém sonhou.
Rui Luis
sábado, 24 de janeiro de 2009
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