segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ser poeta

Se ser poeta é não ser
Eu sou o que não seria
Perco o chão num estremecer
Ser poeta é ser um dia

Se poeta, eu já não sou
Imagem o que eu era
Se um dia já passou
Tenho a noite á minha espera

A minha vida é um momento
Que vivo dia á dia
Um verso, um pensamento
Sou poeta do que sentia

Rui Luis

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ode à Alegria

Alegria!
A pena que tenho em não estar triste.
E ver um surto constante que não existe.
Alegria!
O sabor alegre do que dura pouco.
O vôo leve, o grito rouco.
Alegria!
Que fazes vítimas os que não sabem
da tua manha, e que solenes não fazem
o que a ti te empenha.
Alegria! Oh, alegria de não sorrir!
Alegre em ver-te e não sentir!
E que pena tenho de não fugir.
Alegria!
Doença que me curou.
Fogo que me marcou.
Alegre, pintei o espaço vazio.
Alegre, espantei a cor em mim.
Oh, alegria! Porque não me viu.
Oh alegria, porque és assim?

Rafael Neves