domingo, 25 de janeiro de 2009
Aqueles que já passaram
Sempre achei que tinha razão. Mas hoje, ainda os sinto. Hoje, ainda não me dizem o que quero saber. Hoje, ainda mortos, não me dizem como viver. Calam o silêncio e veêm-me crescer. Aqueles que já passaram a cinzenta fachada, são aqueles que veêm tudo, mas que não sabem nada.
Rafael Neves
sábado, 24 de janeiro de 2009
Taciturno momento
Ah! Ingénua mente de coração mole, a imagem que ela carrega tão sedutoramente já não me atormenta, pois agora sim, tenho pena dela. A tela mágica desenha um corvo branco, único e majestoso como a poesia e o amor.
Tristeza? Pobre desgraçada que flutua na memória da alegria e ao tentar lembrar-se do esquecimento que nunca teve, ela desfalece neste misericordioso dia. A noite seca de meus olhos chuvosos, abafam o sol e sua luz que outrora me iluminaram.
Estais triste ou feliz? Pergunta minha mente enamorada de uma forma sarcástica. A resposta saberás no limiar da grandeza, onde filosofia em verso que incitarei na única e futura noite vivida por mim. Encontro-me taciturno, pois não te carrego, estou feliz na infelicidade de um livre fardo que não me merece, esse fardo?
Minhas lágrimas petrificadas e guardadas numa pirâmide que me imortaliza.
Honrosa princesa do lago, amar-te-ei como esperais, sois vós que me atormentais neste esplendor amoroso? Não sei quem sois, mas de certo que és quem sonhei.
Ao matares-me em teus cabelos, dignos de uma ninfa da floresta, meus olhos circundantes fitam a magia dos teus.
Ao enfeitiçares-me, torno-me semelhante a minhas lágrimas e estático, eu jazo neste momento solene. A rosa negra que transportas tão delicadamente, já me caracterizou num amor anterior em que morri. Voltei! Voltei à realidade, aqui sim existem metáforas verdadeiras, a vida é um drama tranquilizante, acolhe-me e traça-me um destino sonhado, onde poetas voam sobre adegas e casam com sereias míticas e esbeltas.
Grito ao mundo desesperançado e louco, que transporta quem eu sinto:
- Fugi do vosso amor, não correrei ao encontro dele, pois onde o mesmo se encontra. Incestos são praticados.
Quero-te e desprezo-te amor que não amo. Calo-me!... e de repente a resposta desse amor, provem de um vento desordenado que entra pela minha janela.
A musa que quero voa com borboletas durante um mês infinito, e eu? Oh pobre poeta escasso de inspiração, a tal? Exilou-se em meu leito de versos, deixando à minha vista uma nova tela, onde se encontra desenhado um corvo preto, que espicaçou esta prosa inacabada e doentia.
Já não sinto a falta do que não perdi, apenas nunca tive o que jamais esqueci. Desejo a comoção e na vida não a tenho, minha janela, em meu auxílio chama-me, pereço com ela vastos minutos onde um monólogo surge.
No fim desta manhã momentânea, eu apercebi-me:
Este amor é desejado e não necessário de momento, eu não estou a viver a realidade neste impasse triste, eu vivo um sonho oportuno em que estou prestes a acordar.
Num momento, num sonho, aí sim taciturnamente saberei quem sou, eu não sou eu, serei o sonho que alguém sonhou.
Rui Luis
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A vida queima
o brilho cega o magnata e seus néscios e a utopia do homem agora é viver, referindo-me á sobrevivência como uma realidade, mas pergunto-me, quantas pessoas vivem sabendo que estão vivas?
Ainda não me achei neste inferno ensopado em ouro negro, insólita e indignada natureza, pobre mãe de filhos mortos.
Queimei-me, porque vivo?
O mundo pede boleia
Ao universo paralelo
Este palco sem plateia
O futuro do que era belo
A esperança fala comigo
Pedindo ajuda á poesia
Oh! Verso meu amigo
O mundo é de quem o cria
Rui Luis
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Identifica-te
Vejo a génese do pensamento como um fim a não atingir nada, ou seja, para quê pensar se não sento?
Visto de outra forma, para quê idealizar, se a minha ideia diverge das outras? É como se o sentir fosse a única coisa a que eu posso chamar minha e tua, pensar é de tal forma relativo, pois o amor é que é sentido por todos, mas de formas diferentes, enquanto o meu pensar pode ser o ideal de alguém e ao mesmo tempo outra pessoa ter esses pensamentos também, daí a especialidade do sentir, pois ninguém sente igual a ti.
Outrora, se eu sinto? Racionalizo, mas nada me contrapõe se de facto o meu sentir é errado, deixa-me explicar, todo o sentir é meu e o pensar foi enraizado na minha mente.
O que me leva a concluir esta génese ou tentativa da mesma. Posso me pôr aqui a escrever o que penso, mas não, concluo ao dizer que toda a minha alma rege-se de um ideal, que ideal? o meu...
Toda a poesia que sinto é pensada, mas de forma a ficar perfeita para quem a lê, se ao leres isto não te identificares, compreendo, mas reclamo à tua mente ignóbil:
-Perdoa este pensador que não sente!
Toda a forma de poesia é bela, desde que seja sentida e como consequente verdadeira, todo este contracenso morre na ideia de não ser poeta.
Eu não sou poeta, sou eu, a poesia é o que sinto e tudo o que foi pensado já não passa de uma ideia a vaguear nas folhas sentidas.
Percebe-me!
Sente-me e não me penses.
Rui Luis